Glossário de escrita
Definições claras para 271 termos de escrita, narrativa e publicação.
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A
Abertura a frio (cold open)
Cena de abertura que surge antes do genérico inicial, pensada para prender o público desde o primeiro momento.
Ação ascendente
A série de acontecimentos que faz crescer a tensão e desenvolve o conflito entre o incidente desencadeador e o clímax.
Ação descendente
Os acontecimentos que se seguem ao clímax e mostram as consequências do confronto decisivo.
Adiantamento
Pagamento antecipado de uma editora a um autor, por conta dos direitos de autor que as vendas do livro vierem a gerar.
Agente literário
Profissional que representa autores, propõe manuscritos às editoras e negoceia contratos de edição.
Alegoria
Narrativa extensa em que personagens, acontecimentos e cenários representam de forma sistemática ideias abstratas ou conceitos morais.
Aliteração
Repetição do mesmo som consonântico, sobretudo em início de palavra, em palavras seguidas ou muito próximas.
Alusão
Referência breve e indireta a uma pessoa, um lugar, um acontecimento ou uma obra conhecidos.
Anáfora
Repetição deliberada de uma palavra ou expressão no início de orações ou frases sucessivas.
Analogia
Comparação desenvolvida entre duas coisas diferentes para explicar ou esclarecer um conceito desconhecido a partir de outro familiar.
Antagonista
A força que se opõe ao protagonista e lhe barra o caminho, seja uma personagem, uma instituição ou um conflito interior.
Anti-herói
Protagonista a quem faltam as qualidades heroicas convencionais, como a virtude moral, a coragem ou o idealismo, mas que ocupa ainda assim o centro da narrativa.
Anticlímax
Desfecho dececionante ou sem força para uma tensão crescente, em que a recompensa esperada não chega.
Antítese
Figura em que ideias opostas são dispostas em estruturas gramaticais paralelas, de modo que cada uma ganha nitidez ao ser confrontada com a contrária.
ARC (exemplar antecipado para crítica)
Versão de um livro anterior à publicação, distribuída a críticos, livreiros e comunicação social para gerar expectativa.
Arco da história
A progressão de princípio, meio e fim de uma narrativa única e completa, que traça a transformação de um estado inicial, através do conflito, até à resolução.
Arco da personagem
A transformação interior por que uma personagem passa ao longo da história.
Arco narrativo
A trajetória mais ampla de uma narrativa, que pode atravessar várias obras, acompanhar uma personagem ao longo de uma série ou descrever progressões temáticas e não convencionais que vão além de uma só história.
Arco negativo
Arco em que o protagonista sucumbe a um defeito ou abraça uma crença destrutiva e acaba pior do que começou.
Arco plano
Arco em que as convicções essenciais do protagonista não mudam, mas é ele quem transforma o mundo à sua volta.
Arco positivo
Arco em que o protagonista supera um defeito ou uma crença falsa e se torna uma versão melhor de si próprio.
Argumentação
Defesa fundamentada de uma tese com provas e raciocínio lógico; é a espinha dorsal da escrita persuasiva e académica.
Arma de Tchékhov
Princípio segundo o qual cada elemento introduzido numa história deve servir para alguma coisa: se mostras uma arma, ela tem de disparar.
Armadura de enredo (plot armor)
A proteção implícita e injustificada de que uma personagem goza porque a história precisa dela viva; nota-se sempre que a sobrevivência ou o êxito dependem da conveniência narrativa e não da lógica dramática.
Arquétipo
Modelo de personagem universal e recorrente (o herói, o mentor, o trapaceiro) presente em várias culturas e tradições literárias.
Assonância
Repetição de sons vocálicos em palavras próximas, que cria harmonia interna e musicalidade.
Atenuação
Figura de estilo que apresenta deliberadamente algo como menos importante do que realmente é.
Atmosfera
A qualidade ambiental e sensorial de um cenário ficcional que envolve o leitor, criada pela acumulação de pormenores físicos, pela construção de mundo e pela textura emocional do lugar.
Atmosfera emocional
A reação emocional que uma obra de ficção provoca no leitor, criada por elementos da prosa como a escolha das palavras, as imagens, o ritmo e a cadência das frases.
Autoficção
Género que mistura autobiografia e ficção: o autor usa a própria vida como matéria-prima, mas remodela, inventa e reimagina livremente os acontecimentos.
Autopublicação (edição de autor)
Publicação de um livro de forma independente, em que o autor mantém todo o controlo criativo e financeiro.
B
Balada
Poema narrativo, tradicionalmente feito para ser cantado, que conta uma história dramática em linguagem simples, com repetições e um ritmo regular.
Beat (unidade dramática)
Pequena unidade de ação ou de mudança emocional dentro de uma cena, que marca uma alteração na tática de uma personagem ou na dinâmica da cena.
Beat sheet (folha de momentos-chave)
Plano, cena a cena, que mapeia os momentos-chave estruturais por onde uma história deve passar.
Bibliografia anotada
Bibliografia em que cada referência vem acompanhada de um breve comentário que resume e avalia a fonte.
Bloqueio de escritor
A incapacidade de produzir trabalho criativo novo, ou a sensação de estar encalhado no processo de escrita.
Brainstorming (tempestade de ideias)
Técnicas para gerar e desenvolver ideias para histórias, personagens e soluções criativas sem julgamento nem autocensura.
Buraco no enredo (plot hole)
Incoerência, contradição ou lacuna na lógica interna de uma história que quebra a cadeia de causa e efeito e tira o leitor de dentro da narrativa.
C
Cabeçalho de cena (slug line)
Linha que abre cada cena de um guião e indica se a cena é interior ou exterior, o local e o momento do dia.
Capítulo
Grande divisão de um livro que agrupa cenas relacionadas, controla o ritmo e cria pausas naturais na leitura.
Carta de apresentação (query letter)
Carta de uma página enviada a agentes literários para propor um manuscrito e obter representação.
Catarse
A libertação ou purificação emocional que o público vive através da arte, sobretudo da tragédia.
Cena
Unidade de ação dramática que decorre num só tempo e lugar e que é o elemento básico de construção da narrativa.
Cena e capítulo
A cena é uma unidade contínua de ação num só tempo e lugar; o capítulo é uma divisão estrutural que pode conter várias cenas.
Cena e sequela
O padrão estrutural em que a uma cena (objetivo, conflito, desastre) se segue uma sequela (reação, dilema, decisão), criando o ritmo de base do avanço narrativo.
Cenário
O tempo, o lugar e o meio social em que decorre uma história, que formam o pano de fundo físico e cultural da narrativa.
Cesura
Pausa ou corte deliberado dentro de um verso, muitas vezes marcado pela pontuação ou pelo ritmo natural da fala.
Citação e referência
Indicação de uma fonte que reconhece o autor original e permite ao leitor encontrar o material.
Cliché
Expressão, frase ou ideia tão gasta pelo uso que perdeu o impacto original.
Cliffhanger
Recurso narrativo que termina uma cena, um capítulo ou um episódio num momento de suspense por resolver, obrigando o público a continuar.
Clímax
O ponto de maior tensão da história, em que o conflito central chega ao confronto decisivo.
Comentários de leitores beta
O processo de integrar na revisão do manuscrito as reações dos primeiros leitores, pesando opiniões contraditórias e críticas aproveitáveis.
Comparação (símile)
Figura de estilo que aproxima duas coisas diferentes através de «como», «tal como» ou expressões equivalentes.
Conflito
A oposição entre forças que faz avançar o enredo e obriga as personagens a agir.
Consonância
Repetição de sons consonânticos no interior ou no fim de palavras próximas.
Construção de culturas
O trabalho de conceber sociedades, costumes, religiões, normas sociais e sistemas de crenças para mundos ficcionais.
Construção de mundo (worldbuilding)
O trabalho de construir um mundo ficcional, incluindo a geografia, a história, as culturas, as regras e a lógica interna.
Conto
Obra de ficção em prosa, em geral entre 1000 e 10 000 palavras, centrada num único efeito, personagem ou incidente.
Controlo de alterações
Ferramentas digitais que registam inserções, supressões e comentários durante a edição e permitem trabalhar a várias mãos.
Convenções de género
Os elementos, tropes e padrões estruturais esperados que definem um determinado género literário.
Cyberpunk
Subgénero da ficção científica passado num futuro próximo dominado pela omnipresença da tecnologia da informação, pelo poder das grandes empresas, pela modificação do corpo e pela degradação social: «high tech, low life».
D
Desejo versus necessidade
Conceito fundamental do arco da personagem: o desejo consciente da personagem choca com uma necessidade mais funda, muitas vezes inconsciente, de crescer.
Desenlace
O remate final, depois da resolução, que mostra a nova normalidade e ata os fios que ficaram soltos.
Deus ex machina
Solução inesperada e artificial para um problema sem saída, que a história não preparou nem justificou.
Deuteragonista
A segunda personagem mais importante de uma narrativa, muitas vezes companheira, rival ou contraponto do protagonista.
Diálogo
As falas trocadas entre personagens, que servem para revelar a personalidade, fazer avançar o enredo e criar tensão.
Dicção (escolha das palavras)
A escolha deliberada das palavras que o escritor faz para obter um efeito, um ambiente ou um grau de precisão determinados.
Didascália
Indicações escritas num texto dramático ou num guião que descrevem a ação, os movimentos, o cenário ou elementos técnicos para atores e equipa.
Direitos de autor (royalties)
Percentagem de cada livro vendido que é paga ao autor, calculada sobre o preço de capa ou sobre a receita líquida.
Discurso indireto livre
Técnica que funde os pensamentos e a fala de uma personagem com a narração na terceira pessoa, sem aspas nem verbo introdutor.
Distância narrativa
A proximidade psicológica e emocional que se sente entre o narrador e os acontecimentos narrados, do grande plano íntimo à vista de conjunto distanciada.
Dístico
Dois versos seguidos que rimam entre si e formam, em geral, um pensamento completo.
E
Edição de conteúdo (developmental edit)
Edição estrutural profunda que trata do enredo, das personagens, do ritmo e da eficácia global da narrativa.
Edição estrutural
Reorganizar a arquitetura narrativa de um manuscrito: a ordem das cenas, a divisão em capítulos, a cronologia, a integração dos subenredos e o ritmo.
Elegia
Poema de reflexão grave, que em geral chora a perda de alguém ou de algo e medita sobre a morte.
Elenco coral
Estrutura narrativa em que várias personagens têm um destaque mais ou menos igual, em vez de a história girar à volta de um único protagonista.
Encavalgamento (enjambement)
Continuação de uma frase ou expressão para lá do fim do verso, sem pausa.
Enredo
A sequência de acontecimentos ligados por causa e efeito que forma a espinha dorsal de uma história, e que se distingue da mera cronologia por essa lógica causal.
Ensaio
Texto breve em prosa em que o autor explora um assunto através da argumentação, da reflexão ou da experiência pessoal.
Enunciado da tese
A ideia central que um ensaio ou trabalho de investigação defende, formulada em geral numa ou duas frases.
Epifania
Momento súbito de compreensão ou revelação vivido por uma personagem, que muitas vezes muda a forma como se vê a si própria ou à sua situação.
Epígrafe
Citação ou máxima breve colocada no início de um livro ou capítulo para sugerir o tema ou dar o tom.
Epílogo
Secção final que vem depois da resolução da narrativa principal e deixa entrever o futuro das personagens ou reflete sobre o sentido mais amplo da história.
Escansão
A análise e marcação dos padrões métricos de um verso.
Espaço em branco
O uso intencional do branco da página, através de mudanças de parágrafo, linhas curtas ou quebras de secção, para controlar o andamento e a ênfase.
Esquema rimático
O padrão das rimas no fim dos versos de um poema, em geral anotado com letras, em que letras iguais indicam versos que rimam entre si.
Estrofe
Grupo de versos de um poema, separado dos outros por uma linha em branco, que funciona como um parágrafo em verso.
Estrutura do parágrafo
A organização das frases dentro do parágrafo para controlar o ritmo, a ênfase e a fluidez, incluindo a frase-chave, as transições e a extensão do parágrafo como ferramenta de andamento.
Estrutura em cinco atos
Modelo dramático que divide a narrativa em cinco atos, com raízes no teatro clássico e no de Shakespeare.
Estrutura em três atos
Modelo narrativo que divide a história em apresentação, confronto e resolução.
Ethos, pathos e logos
Os três modos de persuasão de Aristóteles: ethos (credibilidade), pathos (emoção) e logos (lógica).
Eufemismo
Expressão suave ou indireta usada em vez de outra considerada demasiado dura ou ofensiva.
Exposição
A informação de contexto integrada na narrativa para que o leitor perceba o enquadramento da história.
F
Fábula
Narrativa breve, muitas vezes com animais como personagens, que transmite uma lição moral.
Falácia patética
Atribuição de emoções humanas à natureza e ao mundo natural, muitas vezes para espelhar o estado interior de uma personagem.
Falha trágica
Fraqueza de carácter ou erro de juízo que leva à queda do protagonista; o conceito vem da hamartia de Aristóteles.
Fantasia
Género de ficção especulativa passado em mundos imaginários ou com elementos sobrenaturais, como a magia, as criaturas míticas e forças de outros mundos.
Ficção científica
Género de ficção especulativa que explora as consequências da mudança científica e tecnológica, imaginando futuros, presentes alternativos ou passados moldados por inovações reais ou teóricas.
Ficção curtíssima (flash fiction)
Ficção muito curta, em geral com menos de 1000 palavras, que conta uma história completa com extrema economia de linguagem.
Ficção de género
Ficção classificada por tipo (romance romântico, thriller, fantasia, policial, ficção científica) que segue convenções estabelecidas e responde às expectativas dos leitores.
Ficção distópica
Género de ficção especulativa passado numa sociedade opressiva e de pesadelo, que critica tendências políticas, sociais ou tecnológicas do mundo real.
Ficção especulativa
Designação geral para a ficção que imagina mundos diferentes do nosso e que engloba a ficção científica, a fantasia, o terror e géneros afins.
Ficção histórica
Ficção passada num período histórico anterior, que mistura pormenores factuais apurados pela investigação com personagens e acontecimentos inventados.
Ficção literária
Ficção que privilegia o desenvolvimento das personagens, a profundidade temática e o trabalho da linguagem em vez do entretenimento movido pelo enredo.
Fiel escudeiro (sidekick)
Companheiro leal do protagonista, cuja presença revela as qualidades do herói, traz uma perspetiva complementar e dá ao herói alguém com quem falar.
Fim de ato (act break)
Divisão estrutural entre os atos de um guião de cinema ou de televisão, que surge em geral num momento de tensão máxima ou de reviravolta.
Flashback (analepse)
Cena ou sequência que interrompe o presente da narrativa para mostrar acontecimentos anteriores.
Fluxo de consciência
Técnica narrativa que procura reproduzir o fluxo contínuo e sem filtros dos pensamentos de uma personagem.
G
Gancho
O elemento de abertura de uma história pensado para captar a atenção do leitor e levá-lo a continuar a ler.
Género
Categoria de obras literárias marcada por convenções, temas e expectativas comuns, que moldam a forma como as histórias são escritas e recebidas.
Grupo de crítica
Pequeno grupo de escritores que se reúne com regularidade para partilhar textos em curso e comentá-los em pormenor.
Guião
O texto completo de um filme ou de uma produção televisiva, com diálogos, descrição da ação, cabeçalhos de cena e indicações técnicas num formato normalizado.
H
Haiku
Forma poética tradicional japonesa de três versos com o padrão silábico 5-7-5, que em geral evoca uma imagem ou um momento da natureza.
Herói trágico
Protagonista de estatura nobre cuja queda é causada por uma falha fatal ou um erro de juízo, e que desperta no público compaixão e temor.
Hipérbole
Exagero deliberado e evidente usado para dar ênfase, fazer humor ou produzir efeito emocional.
História alternativa (ucronia)
Ficção passada num mundo em que um acontecimento histórico concreto teve outro desfecho, e que explora as consequências dessa divergência.
História B (B-story)
A linha narrativa secundária, muitas vezes uma relação entre personagens, que transporta a mensagem temática da história.
História de fundo
O passado de uma personagem: os acontecimentos que fizeram dela quem é quando a história começa.
I
Imagética
Linguagem viva e descritiva que apela aos sentidos para criar imagens mentais e mergulhar o leitor na história.
In medias res
Começar uma história a meio da ação, e não no seu início cronológico.
Incidente desencadeador
O acontecimento que perturba o mundo comum do protagonista e põe em marcha o conflito central.
Indicação entre parênteses (parenthetical)
Breve indicação, entre parênteses, inserida no diálogo de um guião para dizer como deve ser dita uma fala ou que gesto a acompanha.
Infodump
Grande bloco de exposição ou de informação de contexto inserido na narrativa de tal forma que a história para.
Ironia
Recurso em que o sentido pretendido é o contrário do sentido literal, ou em que o desfecho contraria as expectativas.
Ironia dramática
Forma de ironia em que o público sabe algo que uma personagem desconhece.
ISBN
Número Internacional Normalizado do Livro: identificador único de treze dígitos atribuído a cada edição de um livro.
J
Jornada do herói (monomito)
Modelo narrativo universal, identificado por Joseph Campbell, em que um herói deixa o mundo comum, enfrenta provas num mundo especial e regressa transformado.
Justaposição
Colocação deliberada de dois elementos contrastantes lado a lado para pôr em evidência as suas diferenças.
L
Leitor beta
Leitor voluntário que dá a sua opinião sobre um manuscrito antes de este ser enviado a editoras ou publicado.
Leitor de sensibilidade
Leitor com experiência de vida relevante que revê um manuscrito para avaliar se a representação é autêntica e respeitosa.
Limerique (limerick)
Poema humorístico de cinco versos com rima AABBA, em geral em metro anapéstico, conhecido pelo remate brejeiro ou espirituoso.
Língua inventada (conlang)
Língua criada de propósito para um mundo ficcional, que pode ir de simples regras para formar nomes até sistemas gramaticais completos.
Literatura para jovens adultos (YA)
Categoria de ficção definida pelo público a que se destina, dos doze aos dezoito anos, mais coisa menos coisa, em geral com protagonistas adolescentes e centrada nas inquietações emocionais, sociais e identitárias da adolescência.
Logline
Resumo de uma ou duas frases da premissa de um filme ou de uma série, com o protagonista, o conflito e o que está em jogo.
Lore (mitologia e história do mundo)
A história de fundo, a mitologia e o saber acumulado de um mundo ficcional, que existem para lá da narrativa imediata.
M
MacGuffin
Objeto ou objetivo que faz avançar o enredo mas pouco importa em si mesmo; o que conta é que as personagens o queiram.
Magia rígida e magia suave
O espetro que vai dos sistemas de magia assentes em regras, com limites claros, às forças mágicas misteriosas e indefinidas.
Manuscrito
O texto completo e formatado de um livro, enviado a agentes, editores ou editoras para apreciação.
Mary Sue
Personagem, muitas vezes vista como projeção dos desejos do autor, tão perfeita, amada e capaz sem esforço que a tensão da história se desfaz à sua volta.
Mata os teus queridos (kill your darlings)
O princípio de escrita que manda cortar as passagens de que o autor gosta muito mas que não servem a história.
Maximalismo
Estilo de prosa marcado pelo excesso, pela elaboração, pelas frases longas, pelas digressões e pelo gosto da abundância na linguagem e na estrutura.
Memórias
Narrativa de não ficção tirada da experiência pessoal do autor, centrada num tema, num período ou numa relação, e não na história de uma vida inteira.
Mentor
Personagem que orienta, treina ou transmite sabedoria ao protagonista e que muitas vezes desencadeia a sua transformação antes de se afastar.
Metáfora
Figura de estilo que afirma diretamente que uma coisa é outra e cria sentido através de uma comparação implícita, sem «como» nem «tal como».
Metonímia
Figura de estilo que substitui o nome de uma coisa pelo de outra que lhe está estreitamente associada.
Métrica
O padrão rítmico de sílabas tónicas e átonas no verso, que dá à poesia a sua pulsação de fundo.
Minimalismo
Estilo de prosa marcado pela economia de linguagem, pelas frases curtas, pela emoção contida e pela ausência de descrição ou exposição elaboradas.
Monólogo interior
Os pensamentos íntimos de uma personagem transpostos diretamente para a página, que dão ao leitor acesso a emoções que ficam por dizer.
Montagem (sequência de montagem)
Sequência de cenas ou imagens breves encadeadas para condensar o tempo, mostrar ações paralelas ou transmitir uma ideia temática.
Mostrar, não contar
Princípio de escrita que prefere dramatizar emoções e acontecimentos através da ação e do pormenor a afirmá-los diretamente.
Motivação da personagem
Os desejos, medos e necessidades interiores que comandam as decisões e os atos de uma personagem.
Motivo
Elemento recorrente que reaparece ao longo de uma obra e desenvolve ou reforça os seus temas.
Mundo secundário
Mundo ficcional inteiramente inventado, sem ligação direta com a Terra ou com a realidade, que serve de cenário completo a uma narrativa.
N
NaNoWriMo
National Novel Writing Month: o desafio de escrever a primeira versão de um romance de 50 000 palavras entre 1 e 30 de novembro, que muitos escritores continuam a fazer por conta própria desde que a associação que o organizava fechou, em 2025.
Não ficção criativa
Escrita de não ficção que recorre a técnicas literárias, como a construção de cenas, o diálogo e a estrutura narrativa, para contar histórias verdadeiras.
Não ficção narrativa
Escrita factual que conta uma história verdadeira com as técnicas narrativas da ficção.
Narração na primeira pessoa
Modo narrativo em que a história é contada por uma das suas personagens, que diz «eu» ou «nós» e dá acesso direto aos seus pensamentos e perceções.
Narração na segunda pessoa
Modo narrativo que se dirige ao leitor por «tu» e o põe no papel de personagem da história.
Narrador
A voz ou consciência que conta a história; distinta do autor, molda toda a experiência que o leitor tem da narrativa.
Narrador não fiável
Narrador cujo relato dos acontecimentos é parcial, incompleto ou deliberadamente enganador.
Narrador omnisciente
Modo narrativo em que um narrador que tudo sabe tem acesso aos pensamentos de qualquer personagem, circula livremente no tempo e no espaço e comenta o sentido da história.
Narrativa de moldura
Estrutura de história dentro da história, em que uma narrativa exterior dá contexto a um relato interior.
Narrativa não linear
Forma de contar que apresenta os acontecimentos fora da ordem cronológica.
Novela
Obra de ficção mais longa do que um conto e mais curta do que um romance, em geral entre 17 500 e 40 000 palavras.
O
O que está em jogo (stakes)
Aquilo que as personagens podem ganhar ou perder com o conflito da história, e que dá ao leitor uma razão para se importar.
Objetivos de palavras
Número de palavras a atingir em cada sessão diária de escrita e na extensão total do manuscrito, segundo o que se espera do género.
Ode
Poema lírico de estilo elevado e assunto grave, que em geral se dirige a uma pessoa, a uma coisa ou a um conceito abstrato para o celebrar.
Oficina de escrita
Contexto de formação estruturado em que os escritores partilham textos e recebem comentários orientados dos colegas e de um formador.
Onomatopeia
Palavra que imita ou sugere, pelo próprio som, o ruído que designa.
Oxímoro
Figura de estilo que junta dois termos contraditórios numa expressão curta.
P
Pantsing (escrita por descoberta)
Escrever por descoberta, sem um plano prévio, deixando a história nascer naturalmente do próprio ato de escrever.
Pantum
Poema de extensão variável, feito de quadras em que o segundo e o quarto versos de cada estrofe passam a ser o primeiro e o terceiro da seguinte.
Paradoxo
Afirmação ou situação que parece contradizer-se, mas revela uma verdade mais funda.
Pentâmetro jâmbico
Metro de cinco pés jâmbicos (sílaba átona seguida de tónica) por verso, o mais comum na poesia e no teatro em língua inglesa.
Personagem de contraste
Personagem que contrasta com o protagonista para pôr em evidência certos traços, valores ou defeitos.
Personagem dinâmica
Personagem que muda interiormente de forma significativa por efeito dos acontecimentos da história.
Personagem estática
Personagem cujos valores, crenças e personalidade se mantêm, no essencial, iguais do princípio ao fim da história.
Personagem plana
Personagem construída à volta de um único traço ou ideia, sem complexidade psicológica nem conflito interior.
Personagem redonda
Personagem complexa, com várias dimensões, profundidade, contradições e capacidade de surpreender.
Personagem-tipo
Tipo de personagem estereotipado que se reconhece de imediato pelas convenções culturais e literárias.
Personificação
Figura de estilo que atribui qualidades humanas a seres ou coisas não humanos.
Pilha de originais (slush pile)
O conjunto de manuscritos não solicitados que chegam a uma editora ou a uma agência literária.
Pirâmide de Freytag
Modelo de estrutura dramática em cinco partes, criado por Gustav Freytag, que descreve a narrativa em exposição, ação ascendente, clímax, ação descendente e desenlace.
Pista falsa
Indício ou pormenor enganador semeado de propósito para desviar a atenção do leitor da verdade.
Plano da história (outline)
Plano estruturado de uma narrativa que mapeia os principais pontos do enredo, os arcos das personagens e a estrutura antes de se começar a redigir.
Plotting (escrita planeada)
Planear e estruturar uma história em pormenor antes de começar a escrever a primeira versão.
Poema em prosa
Composição que usa técnicas poéticas como a imagem, o ritmo e a linguagem figurada, mas escrita em parágrafos de prosa, sem divisão em versos.
Poesia lírica
Poesia que exprime emoções e pensamentos pessoais de forma musical, próxima do canto, em vez de contar uma história.
Ponto de enredo
Acontecimento significativo que muda o rumo da história e faz avançar a narrativa.
Ponto de pressão (pinch point)
Momento que lembra ao leitor a ameaça do antagonista, colocado em geral por volta dos 37% e dos 62% da história, a meio de cada metade do segundo ato.
Ponto de viragem
Momento decisivo em que a história muda de rumo por causa de uma escolha de uma personagem ou de uma revelação.
Ponto de vista
A perspetiva narrativa a partir da qual a história é contada e que determina a que informação o leitor tem acesso.
Ponto de vista profundo (deep POV)
Terceira pessoa colada à personagem ao ponto de eliminar a distância narrativa e mergulhar o leitor diretamente na sua experiência.
Ponto médio
Grande reviravolta ou revelação a meio da história que faz subir drasticamente o que está em jogo.
Pontos de vista múltiplos
Estrutura narrativa que alterna entre as perspetivas de duas ou mais personagens.
Premissa
A ideia central que a história foi construída para pôr à prova, em geral formulável numa ou duas frases: um protagonista, uma situação e uma pergunta temática.
Prenúncio
Indícios ou pistas semeados cedo na narrativa que preparam o leitor para o que vai acontecer.
Primeira versão
A primeira versão completa de um manuscrito, escrita para pôr a história no papel do princípio ao fim antes de qualquer revisão.
Prolepse (flash-forward)
Cena ou passagem que salta para a frente no tempo para mostrar acontecimentos que ainda não se deram.
Prólogo
Secção introdutória que antecede a narrativa principal e que muitas vezes dá o passado das personagens, fixa o tom ou apresenta um acontecimento exterior à cronologia principal.
Prosa rebuscada (purple prose)
Escrita excessivamente ornamentada e floreada, que chama a atenção para si própria à custa da clareza e da história.
Protagonista
A personagem central, cujos objetivos e conflitos fazem avançar a história.
Pseudónimo
Nome alternativo que um autor usa nas suas obras em vez do nome legal, ou a par dele, por privacidade, marca, segmentação de mercado ou simples preferência.
Q
Quadra
Estrofe de quatro versos, a forma estrófica mais difundida na poesia ocidental, da balada e do hino ao soneto e ao verso livre.
Quarta parede
Barreira imaginária entre os intérpretes e o público; «quebrá-la» é pôr uma personagem a falar diretamente ao público ou a dar mostras de que sabe que ele está ali.
Quiasmo
Figura em que duas ou mais orações se equilibram pela inversão da sua estrutura (esquema AB:BA).
Quota de palavras
Objetivo de escrita concreto, por dia, por semana ou por sessão, medido em palavras escritas, que serve para manter um ritmo de progresso regular num manuscrito.
R
Rascunho
Versão completa de um manuscrito em qualquer fase, da primeira versão exploratória ao polimento final.
Realismo mágico
Modo literário em que elementos sobrenaturais ou fantásticos são apresentados como parte normal de uma narrativa de resto realista.
Registo
O grau de formalidade da linguagem, do informal e coloquial ao formal e académico.
Resolução
A conclusão da história, em que o conflito central fica plenamente resolvido e se instala uma nova normalidade.
Resumo
Síntese breve, em geral de 150 a 300 palavras, do objetivo, dos métodos, dos resultados e das conclusões de um trabalho de investigação.
Retórica
A arte e o estudo da comunicação eficaz e da persuasão pela linguagem.
Reviravolta (plot twist)
Inversão das expectativas que dá outro sentido aos acontecimentos anteriores e revela que aquilo que o leitor julgava estar a acontecer era incompleto ou falso.
Revisão
O trabalho de refazer um manuscrito depois da primeira versão, tratando a estrutura, as personagens, o ritmo, a qualidade da prosa e a clareza.
Revisão da literatura
Levantamento e análise crítica da investigação existente sobre um tema, que estabelece o que já se sabe e aponta as lacunas.
Revisão de estilo (line editing)
Revisão frase a frase centrada na clareza, no ritmo, na escolha das palavras e no estilo, distinta tanto da revisão de texto como da edição de conteúdo.
Revisão de provas
A última leitura antes da publicação, destinada a apanhar gralhas, erros de formatação e pequenos deslizes.
Revisão de sensibilidade
Rever um manuscrito à procura de representações potencialmente ofensivas, estereotipadas ou inexatas de comunidades marginalizadas.
Revisão de texto (copy edit)
Revisão minuciosa centrada na gramática, na ortografia, na pontuação, na coerência e no rigor dos factos.
Ritmo
A cadência e a velocidade com que uma história se desenrola, controladas pela extensão das frases, pela estrutura das cenas e pela tensão.
Ritmo (prosa)
A cadência, o andamento e a fluidez das frases na prosa, criados pela variação da extensão, da construção e do som das frases.
Romance
Obra de ficção em prosa com a extensão de um livro, em geral acima das 40 000 palavras, com espaço para desenvolver personagens, enredos e temas complexos.
Romance de formação (Bildungsroman)
Romance que acompanha o desenvolvimento psicológico e moral do protagonista, da juventude à maturidade.
Romance epistolar
Forma narrativa em que a história é contada através de documentos como cartas, páginas de diário, emails ou mensagens.
Romance policial
Género de ficção centrado na investigação e resolução de um crime ou enigma, em regra um homicídio, movido por pistas, suspeitos e dedução lógica.
Romance romântico
Género de ficção centrado numa relação amorosa entre personagens, com um final emocionalmente satisfatório e otimista.
Rotina de escrita
Prática regular e intencional de escrever a horas certas ou com uma produção certa, pensada para criar disciplina criativa e manter o embalo.
S
Saltos de ponto de vista (head-hopping)
Passar de uma personagem para outra, dentro da mesma cena, sem transição clara entre os pensamentos de cada uma.
Sátira
O uso do humor, da ironia e do exagero para criticar e expor os vícios, as tolices e as falhas das instituições.
Sextina
Poema de 39 versos com seis sextilhas e um remate de três versos, em que as palavras finais rodam de estrofe para estrofe segundo um padrão fixo.
Simbolismo
O uso de objetos, personagens ou acontecimentos concretos para representar ideias abstratas que vão além do sentido literal.
Sinais de revisão de provas
Símbolos e anotações normalizados usados para assinalar correções nas páginas de um texto, uma espécie de estenografia universal das alterações editoriais.
Sinédoque
Figura de estilo em que a parte representa o todo, ou o todo representa a parte.
Sinopse
Resumo conciso de todo o enredo de um manuscrito, final incluído, que se envia a agentes e editoras com a proposta.
Sintaxe
A ordem e a construção das palavras dentro da frase, usadas deliberadamente como ferramenta para controlar o ritmo, a ênfase e o sentido.
Sistema de magia
O conjunto de regras, limites e lógica interna que governa os elementos sobrenaturais ou fantásticos de um mundo ficcional.
Solilóquio
Convenção dramática em que uma personagem, sozinha em cena, pensa em voz alta e revela ao público a sua vida interior.
Soneto
Poema de catorze versos, em pentâmetro jâmbico na tradição inglesa (em decassílabos na portuguesa), que segue um de vários esquemas de rima consagrados.
Sprint de escrita
Sessão de escrita intensiva e cronometrada, normalmente de 15 a 60 minutos, para produzir palavras sem parar para corrigir, muitas vezes feita em grupo para ganhar motivação.
Steampunk
Subgénero da ficção especulativa passado em mundos de história alternativa, em geral vitorianos ou oitocentistas, onde o vapor, os mecanismos de relojoaria e a tecnologia mecânica analógica avançaram muito para lá do que avançaram na realidade.
Subenredo
Linha narrativa secundária que corre a par do enredo principal e lhe acrescenta profundidade e complexidade.
Subtexto
O sentido implícito que corre por baixo do diálogo, da ação ou da descrição.
Suspensão da descrença
A disponibilidade do leitor para aceitar elementos irrealistas ou fantásticos como plausíveis no contexto de uma história.
T
Tema
A ideia central ou o sentido de fundo que uma história explora através das personagens, dos conflitos e dos acontecimentos.
Tensão
A sensação de incerteza, expectativa ou desconforto que faz o leitor continuar a virar páginas.
Terceira pessoa limitada
Modo narrativo que usa «ele», «ela» ou «eles» e limita o acesso do leitor aos pensamentos de uma única personagem de cada vez.
Terror
Género de ficção feito para provocar medo, pavor e inquietação, confrontando personagens e leitores com ameaças monstruosas, sinistras ou psicologicamente perturbadoras.
Texto de contracapa (blurb)
Descrição curta e persuasiva de um livro, em geral na contracapa, feita para despertar o interesse de potenciais leitores.
Thriller
Género de ficção movido pelo suspense, pelo perigo e por apostas altas, centrado na pergunta de saber se o protagonista consegue sobreviver ou evitar uma catástrofe.
Títulos comparáveis (comp titles)
Livros publicados semelhantes, usados para situar um manuscrito no mercado e mostrar a agentes e editoras qual é o seu público.
Tom
A atitude do autor perante o assunto ou o público, transmitida pela escolha das palavras, pela sintaxe e pelo estilo.
Transição
Palavra, expressão ou frase que liga ideias, parágrafos ou secções e dá ao texto encadeamento lógico e coesão.
Tratamento (treatment)
Resumo em prosa de uma história de cinema ou de televisão, normalmente com 5 a 30 páginas, escrito no presente, sem diálogos nem formatação técnica.
Trope (convenção narrativa)
Recurso, motivo ou convenção narrativa recorrente que o público reconhece de obra para obra.
V
Variedade frásica
A prática de misturar frases de extensão, construção e tipo diferentes para dar ritmo à prosa e evitar a monotonia.
Verbo de elocução
A indicação que identifica quem fala, como «disse ela» ou «perguntou ele».
Verbo de elocução rebuscado (said-bookism)
O abuso de alternativas criativas a «disse» (como «exclamou», «opinou», «ejaculou») que desviam a atenção do diálogo.
Verosimilhança
A qualidade de parecer verdadeiro, real ou credível no contexto de um mundo ficcional.
Verso branco
Na poesia inglesa, versos em pentâmetro jâmbico sem rima, que juntam a disciplina da métrica à liberdade de não ter rima fixa.
Verso livre
Poesia escrita sem métrica regular, sem esquema de rima e sem padrões estruturais fixos.
Vilanela
Poema de 19 versos, com cinco tercetos e uma quadra final, construído sobre dois refrões e um esquema de rima ABA.
Vilão
Personagem que persegue ativamente objetivos maus ou moralmente condenáveis e que se distingue do simples antagonista pela maldade ou corrupção deliberadas.
Vinheta
Cena ou esboço breve e evocativo que capta um momento ou um ambiente sem seguir necessariamente uma estrutura de enredo tradicional.
Volta
A «viragem» retórica de um soneto, em que o argumento, o tom ou a perspetiva mudam.
Voz
A personalidade e o estilo inconfundíveis de um autor, tal como se exprimem na página pela escolha das palavras, pela sintaxe e pela atitude.
Voz ativa e voz passiva
A distinção entre as frases em que o sujeito pratica a ação (voz ativa) e aquelas em que a sofre (voz passiva).
Voz da personagem
O modo de falar próprio de uma personagem (vocabulário, ritmo, hábitos verbais) que torna as suas falas inconfundíveis.
Voz e ponto de vista
A forma como a perspetiva narrativa escolhida molda o estilo da prosa, o vocabulário e o tipo de informação a que o leitor tem acesso.
Voz narrativa
O estilo, o tom e a personalidade inconfundíveis da forma como uma história é contada.
Voz off (voice-over)
Narração dita por alguém que não está em cena, ouvida sobre a ação de um filme ou de uma série.
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