Glossário

Balada

Poema narrativo, tradicionalmente feito para ser cantado, que conta uma história dramática em linguagem simples, com repetições e um ritmo regular.

Última atualização

A balada é uma forma de poesia narrativa que conta uma história dramática e que, tradicionalmente, se destinava a ser dita ou cantada. Na tradição inglesa, usa em geral uma linguagem simples e direta, uma métrica regular (quase sempre versos alternados de quatro e três pés jâmbicos), um esquema de rima ABCB ou ABAB e recursos como a repetição e o refrão, que ajudam a memorizar e fazem crescer a intensidade emocional. A forma tem raízes fundas na tradição popular: durante séculos, antes da imprensa, as baladas foram o principal veículo através do qual as comunidades transmitiam histórias de amor, de traição, de crime, de encontros sobrenaturais e de aventuras heroicas. Desta herança oral vêm as suas qualidades características: franqueza, economia e preferência pela ação e pelo diálogo em vez da reflexão interior. Na tradição ibérica, o parente mais próximo é o romance tradicional, em versos de sete sílabas com rima toante, que Almeida Garrett recolheu no seu Romanceiro.

As grandes baladas tradicionais reunidas por Francis James Child na monumental antologia The English and Scottish Popular Ballads incluem obras de uma força extraordinária. «Barbara Allen» conta a história de um jovem que morre de amor não correspondido com uma secura que fez dela uma das baladas mais cantadas do mundo anglófono. «Sir Patrick Spens» relata uma viagem marítima condenada com uma concisão e uma ironia dramática à altura de qualquer conto. Na tradição literária, A Balada do Velho Marinheiro, de Samuel Taylor Coleridge, adotou a estrofe e as convenções narrativas da balada popular para criar um poema de uma profundidade filosófica alucinada, provando que a forma podia carregar muito mais peso do que a sua superfície simples deixava supor. A Balada do Cárcere de Reading, de Oscar Wilde, usou o embalo rítmico e as repetições da forma para construir uma meditação implacável sobre a justiça, o sofrimento e a crueldade da pena de morte. No século XX, poetas como W. H. Auden («As I Walked Out One Evening») e Dudley Randall («Ballad of Birmingham») mostraram que a balada continua capaz de tratar temas pessoais e políticos.

Escrever uma balada é comprometer-se com a narrativa: tem de acontecer alguma coisa, e a energia do poema tem de vir do desenrolar dos acontecimentos e não da meditação lírica ou da descrição. Escolhe uma história com tensão dramática própria (uma traição, uma viagem, uma escolha sem volta) e conta-a com a economia que a forma exige. Sempre que puderes, deixa o diálogo carregar o drama: a tradição da balada prefere cenas contadas pela voz das personagens a comentários do narrador. Usa a repetição com estratégia: um refrão pode criar suspense, marcar a passagem do tempo ou mudar de sentido à medida que a história avança. Mantém o vocabulário simples e concreto; a balada não é forma para abstrações nem para ornamentos, mas para contar com clareza e força uma história que o ouvinte não consiga esquecer. Estuda as baladas populares e as suas descendentes literárias para perceberes a amplitude da forma, e não tenhas medo de trazer temas e vozes de hoje para uma estrutura que já provou, ao longo de séculos, a sua capacidade de adaptação.

Queres começar a escrever?

Planeia, redige e colabora - tudo num espaço de trabalho feito para escritores.

Experimenta grátis

Com a tua autorização, utilizamos cookies de análise para perceber como o Plotiar é usado e melhorá-lo. Se recusares, não é enviado nenhum dado de análise. Os cookies necessários para o início de sessão e a segurança estão sempre ativos. Política de cookies