Simbolismo
O uso de objetos, personagens ou acontecimentos concretos para representar ideias abstratas que vão além do sentido literal.
Última atualizaçãoO simbolismo (o uso de símbolos, que não se confunde com o movimento literário do mesmo nome) consiste em dar a elementos concretos, como objetos, cores, cenários, personagens ou ações, um sentido que vai além da sua função literal na narrativa. Um símbolo funciona em dois planos ao mesmo tempo: é uma coisa real no mundo da história e aponta para uma ideia abstrata ou para uma verdade emocional. Ao contrário da alegoria, em que as correspondências são sistemáticas e muitas vezes termo a termo, o símbolo é em geral mais fluido e aberto à interpretação, e ganha riqueza precisamente por resistir a ser reduzido a um único sentido.
A luz verde ao fundo do pontão de Daisy, em O Grande Gatsby, é um dos símbolos mais analisados da literatura: representa ao mesmo tempo o anseio de Gatsby, o sonho americano e a impossibilidade de recuperar o passado. Em O Deus das Moscas, o búzio simboliza a ordem democrática e a autoridade civilizada, e a sua destruição marca o colapso total da sociedade dos rapazes. Em Beloved, Toni Morrison faz da personagem que dá título ao livro um fantasma literal e, ao mesmo tempo, um símbolo do trauma coletivo da escravatura, ambiguidade que dá ao romance a sua força assombrosa.
O simbolismo eficaz nasce da história e não lhe é imposto. Se decidires que um balão vermelho vai simbolizar a liberdade e passares o tempo a apontar para o balão, empurrando o leitor para a interpretação «correta», deste uma aula, não criaste um símbolo. Escolhe antes objetos e imagens que regressem naturalmente no mundo da tua história e deixa que o seu significado se construa pela repetição e pelo contexto. O leitor deve sentir o peso do símbolo antes de ser capaz de dizer o que ele significa. Quando escreves, concentra-te em tornar o plano literal vivo e convincente; o sentido simbólico vem por acréscimo.