Primeira versão
A primeira versão completa de um manuscrito, escrita para pôr a história no papel do princípio ao fim antes de qualquer revisão.
Última atualizaçãoA primeira versão (ou primeiro rascunho) é a versão inicial completa de um manuscrito, escrita com um objetivo principal: pôr a história no papel do princípio ao fim. Não tem de ser polida nem eloquente, nem sequer coerente em todas as passagens. Existe para dar ao escritor matéria-prima que possa trabalhar. Ernest Hemingway terá dito que «a primeira versão de qualquer coisa é uma merda» e, embora a autoria da frase seja discutível, os escritores no ativo subscrevem-na sem exceção. A função da primeira versão é existir, e nada mais.
Muitos romances célebres nasceram de primeiras versões desarrumadas e desmesuradas, muito diferentes da obra acabada. A primeira versão de O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, que se chamava Trimalchio, era bastante diferente, na estrutura e no tom, da obra-prima enxuta que o editor Maxwell Perkins o ajudou a moldar. Stephen King escreve as primeiras versões «de porta fechada», como conta em Sobre a Escrita, despejando a história sem pensar no público nem na técnica. Donna Tartt passou anos na primeira versão de A História Secreta, e mesmo o seu processo meticuloso exigiu depois uma revisão extensa.
O conselho prático mais importante sobre a primeira versão é: acaba-a. Muitos escritores encalham porque vão revendo à medida que avançam e passam a vida a polir o primeiro capítulo enquanto os capítulos dez a trinta nunca chegam a ser escritos. Dá-te autorização para escrever mal. Diálogos provisórios, descrições em esqueleto e notas entre parênteses retos como «[corrigir depois]» são ferramentas perfeitamente legítimas nesta fase. O que importa é avançar. Não se pode rever o que não existe, e uma versão imperfeita mas terminada vale infinitamente mais do que um primeiro capítulo perfeito sem nada atrás.