Arco da história
A progressão de princípio, meio e fim de uma narrativa única e completa, que traça a transformação de um estado inicial, através do conflito, até à resolução.
Última atualizaçãoO arco da história é a trajetória estrutural de uma narrativa única e autónoma, do estado inicial à resolução, passando por um conflito que se agrava. Descreve como uma história transforma as suas personagens e o seu mundo: o protagonista parte de um equilíbrio, um incidente desencadeador perturba-o, a tensão crescente move o meio da história, o clímax traz o confronto decisivo e a resolução instala um novo equilíbrio. O arco da história está limitado pelas capas de um livro ou pela duração de um filme: é o percurso completo do «era uma vez» até ao «fim».
Kurt Vonnegut ficou célebre por representar os arcos das histórias como formas simples num gráfico. O arco do «homem no buraco» (as coisas pioram e depois melhoram) descreve histórias como O Marciano, em que a situação de Mark Watney se degrada até ao salvamento final. O arco da «Gata Borralheira» (subida, queda, nova subida) aplica-se a inúmeros contos de fadas e comédias românticas. O arco da «tragédia» (subida e depois queda catastrófica) descreve Macbeth e O Grande Gatsby. Cada forma representa a trajetória emocional de uma história única e completa.
Perceber o arco da tua história ajuda-te a diagnosticar problemas estruturais numa obra concreta. Se o teu romance parece andar sem rumo, pode faltar-lhe um arco claro que ligue a perturbação inicial à resolução final. Se parece previsível, o arco pode ser demasiado linear, sem reviravoltas nem complicações suficientes. Ao contrário do conceito mais amplo de arco narrativo, que pode atravessar várias obras ou acompanhar progressões temáticas, o arco da história é circunscrito e finito: responde à pergunta de como esta história em particular vai do princípio ao fim.