Riscos
O que as personagens têm a ganhar ou a perder como resultado do conflito da história, dando ao leitor um motivo para se importar.
Última atualizaçãoOs riscos (stakes) são o que uma personagem tem a ganhar ou a perder consoante o desfecho do conflito da história. Respondem à pergunta fundamental do leitor: porquê me importar? Os riscos podem ser externos (vida e morte, um reino, uma relação) ou internos (amor-próprio, identidade, integridade moral). Quanto mais altos e mais pessoais forem os riscos, mais investido fica o leitor no desfecho.
Em A Escolha de Sofia, os riscos são literalmente o pior pesadelo de uma mãe, tornado devastador pela sua impossibilidade. Em Orgulho e Preconceito, os riscos são sociais e pessoais: a felicidade de Elizabeth Bennet, a segurança financeira da família e o seu sentido de valor próprio dependem todos das suas escolhas. Nem todos os riscos precisam de ser de vida ou morte. O Amor É Um Lugar Estranho (Lost in Translation) consegue-o com riscos discretos: duas pessoas solitárias podem nunca se ligar, e se se ligarem, pode não durar.
Um erro comum é assumir que riscos maiores significam automaticamente melhores histórias. A destruição global num filme de super-heróis pode parecer menos urgente do que uma única personagem a arriscar o seu casamento, porque o público se liga mais facilmente a riscos pessoais do que a riscos abstratos. O essencial é fazer com que os riscos pareçam reais e merecidos. Aumenta os riscos gradualmente, garante que o leitor entenda o que está em jogo antes de chegar o momento crucial e torna sempre as consequências do fracasso concretas e específicas, em vez de vagas.