Glossário

Pirâmide de Freytag

Modelo de estrutura dramática em cinco partes, criado por Gustav Freytag, que descreve a narrativa em exposição, ação ascendente, clímax, ação descendente e desenlace.

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A pirâmide de Freytag é um modelo estrutural apresentado pelo romancista e dramaturgo alemão Gustav Freytag no seu tratado de 1863, Die Technik des Dramas («A técnica do drama»). Representa a história como um triângulo com cinco fases: a exposição, que apresenta as personagens e o cenário; a ação ascendente, em que as complicações e o conflito se intensificam; o clímax, o ponto de viragem decisivo; a ação descendente, em que as consequências se desenrolam; e o desenlace (ou catástrofe, na tragédia), em que a história chega à resolução final. O modelo foi pensado para descrever a forma do drama clássico em cinco atos, em especial a tragédia grega e a de Shakespeare.

A pirâmide de Freytag aplica-se bem a muitas obras canónicas. Rei Édipo, de Sófocles, vai da peste em Tebas (exposição), passa pela investigação de Édipo (ação ascendente) e chega à revelação devastadora da sua identidade (clímax), a que se seguem a morte de Jocasta e o momento em que Édipo se cega (ação descendente) e, por fim, o exílio (desenlace). Macbeth, de Shakespeare, segue um arco igualmente nítido: a profecia e o assassínio de Duncan movem a ação ascendente, a cena do banquete marca o clímax e a derrocada de Macbeth leva a peça, através da ação descendente, até ao desfecho fatal.

A pirâmide de Freytag continua a ser um instrumento de análise valioso, mas os escritores de hoje devem ter presentes as suas limitações. Foi concebida para a tragédia, em que o clímax surge muitas vezes perto do meio da história e a ação descendente é extensa. A ficção comercial e o cinema contemporâneos tendem a empurrar o clímax para muito mais perto do fim, pelo que a estrutura em três atos se ajusta melhor à maioria das narrativas atuais. Usa o modelo de Freytag quando quiseres perceber o ritmo dramático clássico ou quando escreveres histórias com consequências prolongadas depois da crise central, mas nada te obriga a pôr o clímax a meio se a tua história pedir outra coisa.

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