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A checklist de copidesque: consistência antes de enviar

Última atualização 6 min de leitura

A copidesque me devolveu o manuscrito com quarenta e uma observações antes mesmo de tocar em um único problema de trama. Não "por que sua protagonista perdoa a irmã tão rápido", que seria uma pergunta de verdade, dessas que alguém deveria ter feito. Quarenta e uma observações sobre se eu escrevia "por que", "porque", "por quê" ou "porquê" do jeito certo em cada ocorrência, sobre se minha cidade inventada era Kethra na página 40 e Kethera na 212, sobre um personagem que checava o "celular" no capítulo dois e o "smartphone" no capítulo dezenove. Eu tinha lido aquele manuscrito pelo menos seis vezes. Não tinha pego nenhuma das quarenta e uma.

É isso que o copidesque realmente é, e é fácil confundir com os dois ofícios ao lado dele. A edição de desenvolvimento pergunta se a história funciona. A revisão de provas pega o erro de digitação solto depois que tudo o resto já está fechado. O copidesque fica no meio, e o único trabalho dele é consistência -- garantir que cada escolha que você fez, de propósito ou por acidente, foi refeita do mesmo jeito toda vez que ela reaparece.

Ninguém percebe quando essa etapa vai bem.

Todo mundo percebe, de um jeito pequeno e difícil de nomear, quando ela não vai.

Benjamin Dreyer, que dirigiu o departamento de copidesque da Random House por duas décadas antes de escrever Dreyer's English, é direto sobre isso: um copidesque não está ali para impor ao seu livro um inglês "correto", e sim para garantir que o seu livro concorde consigo mesmo. Mary Norris passou mais de trinta anos nessa mesma função na The New Yorker e escreveu um livro de memórias inteiro, Between You & Me, sobre o quanto esse trabalho é invisível de propósito -- o leitor só deve notar a história, nunca as costuras. Esta checklist não vai substituir nenhum dos dois, nem o profissional que você acabará contratando. Ela vai te levar até essa contratação com bem menos das quarenta e uma observações que eu recebi.

Monte uma folha de estilo antes de mexer em qualquer outra coisa

Uma folha de estilo é um documento vivo com cada escolha que o seu manuscrito precisa fazer mais de uma vez. Sem ela, você refaz cada escolha na hora, no calor do momento, e vai se desviando sem perceber.

Todo nome, lugar e termo inventado está anotado com a grafia e as maiúsculas exatas

Procure no manuscrito cada nome próprio assim que perceber que ele se repete. Meu deslize Kethra/Kethera aconteceu porque eu nunca anotei a palavra em lugar nenhum fora da própria história, onde eu podia escrever errado numa direção sem nunca ver as duas versões lado a lado.

Você decidiu como resolver "por que / porque / por quê / porquê" e caçou as exceções

Fixe a regra e mantenha o dicionário por perto o livro inteiro. Uma busca por "porque" te mostra rapidinho onde a forma errada se infiltrou.

Os números seguem uma única regra, por extenso abaixo de um limite e em algarismos acima dele

O uso clássico escreve por extenso números até dez, ou até cem dependendo da editora, e muda para algarismos depois disso. As duas opções valem. Trocar no meio do capítulo, não.

Palavras compostas e hífens ficam consistentes do início ao fim

E-mail ou email. Celular ou smartphone. Autoconhecimento ou auto-conhecimento. Nenhuma dessas escolhas está errada. Todas ficam erradas na segunda vez que você faz diferente.

Gramática e pontuação mantêm a mesma forma em toda parte

O tempo verbal é consistente dentro de cada cena, com os flashbacks claramente marcados

Uma cena que oscila entre passado e presente sem nenhum sinal não é experimental, é um indício de que o capítulo foi escrito em mais de uma sessão e nunca foi reconciliado.

Sua convenção de diálogo -- travessão ou aspas -- se aplica sem exceção

Cormac McCarthy eliminou as aspas por completo, em todos os livros, durante toda a carreira -- uma escolha genuinamente pouco convencional que soa segura justamente porque ele nunca recorreu a uma por hábito. Seja qual for a sua escolha, escolha uma vez e mantenha em todo o livro.

Pensamento interior, mensagens de texto e cartas são formatados do mesmo jeito toda vez que aparecem

Itálico para o pensamento direto, redondo para o indireto. Fixe a regra e depois procure cada ocorrência, comparando com a regra, não com a sua lembrança do que você queria fazer.

Interrupções e falas que se apagam no diálogo usam a pontuação de forma consistente

Um travessão para uma fala cortada por outro personagem, reticências para uma voz que se apaga sozinha. Misturar os dois caso a caso soa como descuido, mesmo quando o leitor não sabe explicar por quê.

Medidas, referências de tempo e formatação não derivam

As unidades de medida ficam em um único sistema no manuscrito inteiro

Quilômetros ou milhas, quilos ou libras. Um romance de fantasia inventa suas próprias unidades exatamente por esse motivo -- escolha um sistema para uma história contemporânea realista e nunca deixe um personagem pensar no outro.

As referências de horário usam um único formato no livro inteiro

"Três da tarde" ou "15h", nunca os dois na mesma página sem motivo. Dias da semana, datas e expressões de horário também entram na folha de estilo.

Títulos de capítulo e seção seguem um único formato, com ou sem numeração

Se o capítulo um tem título e o capítulo dois só tem número, isso é uma escolha estrutural deliberada ou um deslize. Saiba qual das duas coisas é antes que o leitor precise adivinhar.

Releia do jeito que um copidesque de verdade releria

Atul Gawande é cirurgião, não editor, e o livro dele, The Checklist Manifesto, fala de centros cirúrgicos, não de manuscritos. O argumento dele vale aqui quase sem tradução: experiência não evita erros de memória e atenção, e a solução nunca é "se esforçar mais para lembrar". A solução é uma lista externa que você realmente segue, em ordem, toda vez -- porque a alternativa é confiar no mesmo cérebro que já leu o seu livro seis vezes e deixou passar quarenta e uma coisas.

Você procurou no manuscrito cada item da folha de estilo separadamente, sem confiar em uma única releitura geral

Uma busca por regra. Uma releitura simples pega talvez um terço do que uma busca direcionada pega, porque o olho escorrega sobre o padrão que já está acostumado a ver.

Alguém além de você leu pelo menos três capítulos comparando com a folha de estilo

Você já sabe o que quis dizer. Um segundo leitor só sabe o que está na página, que é exatamente a lacuna que um copidesque é pago para fechar.

Você sabe que essa etapa não substitui checar os fatos da trama nem contratar uma revisão de provas

Se o pai do seu personagem perde uma mão no capítulo três e amarra o próprio cadarço com as duas mãos no capítulo vinte e um, isso é um erro de continuidade, um trabalho completamente diferente. O copidesque não vai pegar isso, e não deveria tentar. Isso pertence às etapas estruturais anteriores de uma checklist de revisão completa, antes mesmo de a consistência entrar em jogo.

Toni Morrison trabalhou como editora na Random House por quase duas décadas antes de a maior parte do mundo conhecê-la como romancista, um fato que acho estranhamente reconfortante nos dias em que o copidesque parece a parte menos criativa do processo inteiro. Não é criativo. Não precisa ser. Meu manuscrito voltou para aquela copidesque uma segunda vez com uma folha de estilo em vez de nada, e voltou com quatro observações em vez de quarenta e uma -- três sobre uma regra de pontuação que eu sinceramente não sabia que existia, e uma sobre Kethra, que de algum jeito tinha virado Kethera de novo, uma vez, numa página que eu jurava já ter corrigido.

Mantenha sua folha de estilo do lado do manuscrito, não em um documento separado que você esquece de abrir. As notas e o painel de lore do Plotiar ficam ao lado da página enquanto você escreve, então a grafia de um nome ou uma regra de formatação fica a um clique de distância em vez de uma busca que você sempre pensa em fazer. Experimente grátis.

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