Modelo

Modelo de Esquema de Artigo de Investigação

Última atualização 8 min de leitura

Um artigo de investigação vive ou morre pela sua estrutura. As ideias podem ser brilhantes, os dados impecáveis e a prosa elegante, mas se o argumento não estiver organizado de uma forma que o leitor possa acompanhar da premissa à conclusão, o artigo falha. Um esquema é o projeto estrutural que evita esse fracasso. Obriga-o a articular a lógica do seu argumento antes de se comprometer com parágrafos de prosa e revela lacunas no seu raciocínio que são muito mais fáceis de corrigir em forma de esquema do que num rascunho acabado.

Este modelo fornece um quadro para organizar um artigo de investigação académico, do resumo à bibliografia. Segue a estrutura convencional usada na maioria das disciplinas académicas, com notas sobre como o adaptar a diferentes áreas e formatos. Quer esteja a escrever um trabalho de fim de semestre, um capítulo de tese, um artigo para uma revista científica ou uma comunicação para uma conferência, a lógica subjacente é a mesma: enuncie a sua tese, sustente-a com evidências, aborde os contra-argumentos e tire uma conclusão que faça avançar o debate.

Secção 1: Quadro Preliminar

Antes de esquematizar o artigo propriamente dito, estabeleça os elementos fundadores que guiarão cada decisão estrutural.

Título Provisório

Escreva um título provisório descritivo. Não precisa de ser engenhoso nem definitivo — precisa de ser específico. "Os Efeitos das Redes Sociais na Saúde Mental dos Adolescentes" é mais útil na fase de esquematização do que "Deslizando para o Vazio". Um título provisório claro mantém-no focado no seu argumento real, em vez de numa área temática vaga.

Questão de Investigação

Enuncie a questão específica a que o seu artigo responde. Uma boa questão de investigação é suficientemente estreita para ser respondida no âmbito do seu artigo e suficientemente significativa para merecer ser respondida. "Como afeta a utilização das redes sociais a saúde mental dos adolescentes?" é demasiado abrangente. "Qual é a relação entre o uso diário do Instagram e os níveis autorrelatados de ansiedade em adolescentes entre os 13 e os 17 anos?" é uma questão de investigação que pode efetivamente estudar.

Tese

Escreva uma afirmação de uma a duas frases do seu argumento ou conclusão central. A tese é a resposta à sua questão de investigação. Tudo no artigo existe para sustentar, qualificar ou contextualizar esta afirmação. Se uma secção do seu esquema não se liga à tese, provavelmente não pertence ao artigo.

Âmbito e Limitações

Defina o que o artigo cobre e o que não cobre. Reconhecer as limitações desde cedo previne a expansão descontrolada do âmbito durante a escrita e demonstra honestidade intelectual. Anote as fronteiras da sua metodologia, as populações ou contextos que está e não está a examinar, e quaisquer restrições aos seus dados ou análise.

Secção 2: Resumo

O resumo é normalmente escrito por último, mas esquematizado em primeiro lugar. É uma versão comprimida do artigo inteiro — geralmente 150 a 300 palavras — e esquematizá-lo cedo obriga-o a articular o arco do artigo em miniatura.

Planeie estes elementos no seu resumo:

  • Contexto: Uma a duas frases que estabelecem o tema e a sua importância.
  • Problema ou Lacuna: Que questão ou lacuna na investigação existente o seu artigo aborda?
  • Método: Como investigou a questão? (Uma frase é geralmente suficiente.)
  • Principais Resultados: O que descobriu? Enuncie os resultados ou argumentos mais importantes.
  • Implicações: Porque importam as conclusões? O que contribuem para a área?

Reescreverá o resumo quando o artigo estiver concluído, mas redigi-lo agora obriga-o a comprometer-se com um argumento antes de começar a relativizar.

Secção 3: Introdução

A introdução parte do contexto amplo para chegar à sua tese específica. Pense nela como um funil: começa-se larga e estreita-se progressivamente até o leitor chegar ao seu argumento exato.

Gancho de Abertura

O primeiro parágrafo deve estabelecer porque é que o tema importa. Pode ser uma estatística impactante, uma anedota cativante, uma observação histórica ou uma afirmação sobre um debate atual. Evite definições de dicionário e generalizações abrangentes ("Desde a aurora dos tempos..."). Comece com algo concreto e específico.

Antecedentes e Contexto

Forneça contexto suficiente para o leitor compreender a importância da sua questão de investigação. Isto não é a revisão da literatura — é o contexto mais amplo que torna a sua questão relevante. Sintetize o estado da arte, identifique o debate em que o seu artigo se insere e explique porque é que o tema exige atenção agora.

Enunciado do Problema

Identifique a lacuna, contradição ou questão por resolver específica na investigação existente que o seu artigo aborda. O enunciado do problema é a charneira entre o contexto e a tese: explica porque é que o conhecimento existente é insuficiente e o que o seu artigo contribui.

Tese e Roteiro

Enuncie a sua tese e antecipe brevemente a estrutura do artigo. O roteiro dá ao leitor um quadro mental para processar o argumento. "Este artigo examina primeiro X, depois analisa Y e por fim defende Z" é simples, mas funciona porque diz ao leitor o que esperar e por que ordem.

Secção 4: Revisão da Literatura

A revisão da literatura não é um resumo de tudo o que já foi escrito sobre o seu tema. É uma síntese estratégica das fontes mais relevantes para o seu argumento, organizada para demonstrar como a investigação existente conduz logicamente à sua questão de investigação.

Estratégia de Organização

Escolha como organizar a revisão. Abordagens comuns incluem:

  • Temática: Agrupe as fontes pelos temas ou subtemas que abordam. Funciona bem quando a literatura abrange várias áreas relacionadas.
  • Cronológica: Acompanhe o desenvolvimento das ideias ao longo do tempo. Funciona bem quando a própria evolução do pensamento é relevante para o seu argumento.
  • Metodológica: Agrupe as fontes pelos métodos de investigação que utilizam. Funciona bem quando a contribuição do seu artigo é metodológica.
  • Argumentativa: Organize as fontes pelas posições que tomam num debate. Funciona bem quando o seu artigo entra numa área contestada.

Grupos de Fontes

Para cada grande secção da revisão da literatura, esquematize:

  • As fontes principais e os seus argumentos ou resultados centrais.
  • Como essas fontes se relacionam entre si (concordância, contradição, extensão).
  • Como este grupo de fontes se liga à sua tese.
  • Que lacunas ou questões permanecem depois de considerar estas fontes.

Transição para a Sua Investigação

A revisão da literatura deve terminar a defender a contribuição do seu artigo. A lógica deve ser: "Aqui está o que sabemos. Aqui está o que não sabemos. O meu artigo aborda essa lacuna." Se a revisão da literatura não conduz a esta conclusão, reestruture-a até o fazer.

Secção 5: Metodologia (Se Aplicável)

Nem todos os artigos de investigação incluem uma secção de metodologia separada — artigos teóricos e analíticos podem integrar a sua abordagem no próprio argumento. Mas se o seu artigo envolve investigação empírica, recolha de dados ou um quadro analítico específico, esquematize a metodologia com clareza.

  • Desenho da Investigação: Descreva a abordagem global (qualitativa, quantitativa, métodos mistos, comparativa, estudo de caso, etc.).
  • Recolha de Dados: Que dados recolheu e como? Inquéritos, entrevistas, investigação em arquivo, experiências, análise textual? Seja suficientemente específico para que outro investigador possa replicar a sua abordagem.
  • Método de Análise: Como analisou os dados? Testes estatísticos, quadros de codificação, análise do discurso, leitura atenta? Nomeie os métodos e justifique por que são adequados à sua questão de investigação.
  • Considerações Éticas: Se a sua investigação envolve sujeitos humanos, anote a aprovação ética, os procedimentos de consentimento informado e quaisquer medidas tomadas para proteger os participantes.

Secção 6: Corpo / Argumento

É o núcleo do artigo, onde apresenta as suas evidências e constrói o argumento. A estrutura depende da sua disciplina e da natureza do seu argumento, mas a lógica subjacente é sempre a mesma: afirmação, evidência, análise.

Secções Principais do Argumento

Divida o argumento nos seus principais componentes. Para cada secção, esquematize:

  • Afirmação da Secção: O ponto específico que esta secção defende. Cada secção deve ter uma afirmação clara e debatível que sustente a tese global.
  • Evidência: Os dados, fontes, exemplos ou raciocínios que sustentam a afirmação. Liste os elementos de evidência específicos que pretende apresentar.
  • Análise: Como sustenta a evidência a afirmação? É aqui que muitos artigos ficam aquém — apresentam evidências mas não explicam a sua importância. Para cada elemento de evidência, anote o movimento analítico que vai fazer: interpretação, comparação, aplicação de teoria, identificação de padrões.
  • Ligação à Tese: Como se liga o argumento desta secção à tese global e a faz avançar? Torne a ligação explícita no seu esquema, mesmo que vá ficar implícita na prosa.

Contra-argumentos

Identifique as objeções mais fortes ao seu argumento e esquematize como as vai abordar. Envolver-se com contra-argumentos demonstra rigor intelectual e fortalece a sua posição. Para cada contra-argumento, anote:

  • A própria objeção, enunciada de forma justa e na sua versão mais forte.
  • A sua resposta: concede o ponto, refuta-o ou qualifica o seu argumento para o acomodar?
  • Onde, no artigo, esta troca se encaixa mais naturalmente.

Secção 7: Discussão (Se Separada do Argumento)

Em artigos empíricos, a secção de discussão interpreta os resultados e situa-os no contexto da literatura existente. Esquematize o seguinte:

  • Como se relacionam as suas conclusões com os estudos revistos na revisão da literatura? Confirmam, contradizem ou estendem o trabalho anterior?
  • Quais são as implicações mais amplas das suas conclusões para a área?
  • Quais são as limitações do seu estudo e como podem afetar a interpretação dos seus resultados?
  • Que questões permanecem sem resposta e que direções para investigação futura sugerem as suas conclusões?

Secção 8: Conclusão

A conclusão espelha a introdução, mas ao contrário: parte do específico (as suas conclusões e argumento) para o amplo (a sua importância para a área e para além dela).

  • Reafirmar a Tese: Reafirme o seu argumento central, agora com o peso da evidência por trás. Não se limite a copiar a tese da introdução — reformule-a numa linguagem que reflita o que o artigo demonstrou.
  • Sintetizar os Pontos Principais: Recapitule brevemente os principais argumentos ou conclusões. O leitor deve conseguir reconstruir a lógica do artigo apenas a partir da conclusão.
  • Importância: Explique por que importa o argumento. O que contribui para a área? Como muda a forma como compreendemos o tema?
  • Direções Futuras: Identifique questões que o seu artigo levanta mas não responde. Isto demonstra que o seu trabalho faz parte de uma conversa académica em curso, não de uma afirmação fechada.
  • Encerramento: Termine com uma frase ou duas que deixem o leitor com um sentido claro da contribuição do artigo. Evite introduzir nova informação na conclusão.

Secção 9: Referências e Citações

Acompanhe as suas fontes à medida que esquematiza, não depois de terminar o rascunho. Para cada fonte que pretende citar, anote:

  • A informação bibliográfica completa no formato de citação exigido (APA, MLA, Chicago, etc.).
  • Onde, no artigo, planeia usá-la.
  • A afirmação ou dado específico para o qual a está a citar.

Manter uma lista de referências corrente durante a fase de esquematização evita a corrida dolorosa para localizar fontes no final e reduz o risco de plágio acidental.

Como Personalizar Este Modelo

  • Para artigos STEM: O formato IMRaD (Introdução, Métodos, Resultados e Discussão) mapeia diretamente nas Secções 3, 5, 6 e 7. A sua secção de resultados substitui a secção do argumento, e a análise foca-se na interpretação de dados em vez de argumentação retórica.
  • Para artigos de humanidades: Pode não precisar de uma secção separada de metodologia ou de discussão. A secção do argumento (Secção 6) carrega a maior parte do artigo, com evidência extraída de análise textual, fontes históricas ou quadros teóricos, em vez de dados empíricos.
  • Para capítulos de tese ou dissertação: Escale cada secção. A revisão da literatura pode tornar-se um capítulo próprio. O argumento pode estender-se por vários capítulos. Use este modelo como projeto para cada capítulo e depois crie um esquema-mestre que acompanhe o arco da tese inteira.
  • Para artigos curtos (até 3000 palavras): Comprima a revisão da literatura na introdução e funda a discussão na conclusão. A estrutura central mantém-se: contexto, afirmação, evidência, análise, importância.
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